Como você reage às mudanças?
Durante o ciclo da vida, será normal passarmos por mudanças, muitas das quais são naturais. Essas mudanças trazem situações novas que, muitas vezes, nos geram certo desconforto ou mesmo medo do desconhecido.
Há quem aceite facilmente as mudanças e há quem reaja com cautela. No entanto, muitas pessoas são resistentes a elas, ficam sem reação, enfrentam-nas com medo ou temor, ou simplesmente negam sua existência.
"É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada."
George Bernard Shaw
Quem Mexeu no Meu Queijo?
"Todos nós trabalhamos e vivemos em tempos de mudança e, por isso, estão sempre mexendo no nosso 'Queijo'."
As mudanças fazem parte do cotidiano do ser humano e acontecem diariamente. Elas ocorrem nas relações familiares, nas amizades, nos relacionamentos afetivos e também nas relações profissionais. Em muitas situações, as pessoas vivem em uma zona de conforto e, de repente, quando uma peça sai do lugar, instala-se o caos.
Este é um livro motivacional, escrito em 1998 por Spencer Johnson, médico e escritor norte-americano. A obra utiliza uma metáfora para refletir sobre a forma como as pessoas reagem às mudanças e perseguem seus objetivos de vida, como um emprego, um relacionamento, saúde, dinheiro, casa, carro, liberdade, reconhecimento ou paz espiritual.
O livro conta a história de dois ratos, Sniff e Scurry, e de dois duendes, Hem e Haw. A narrativa faz uma analogia com a vida e o cotidiano do ser humano, retratando suas buscas, medos, mudanças e conquistas.
Todas as manhãs, os quatro personagens percorriam um labirinto em busca de depósitos de queijo.
"Sniff e Scurry, possuindo apenas cérebros simples de roedores, mas instintos aguçados, procuravam pelo queijo duro de roer de que gostavam, como os ratos costumam fazer.
Os dois pequenos duendes, Hem e Haw, usavam seus cérebros, cheios de muitas crenças, para procurar um tipo muito diferente de Queijo — com Q maiúsculo — que acreditavam que os tornaria felizes e bem-sucedidos."
Um dia, encontraram uma grande quantidade de queijo no mesmo lugar, o Posto C de Queijo. A partir de então, todas as manhãs vestiam suas roupas de corrida, calçavam seus tênis e seguiam para lá, transformando essa rotina em um hábito.
Com o passar do tempo, um dos ratos percebeu uma mudança: o queijo começava a diminuir. Os duendes, porém, não notaram essa diferença.
Certo dia, ao chegarem ao Posto C, os ratos Sniff e Scurry perceberam que o queijo havia desaparecido. Eles não ficaram muito surpresos. Simplesmente seguiram em outra direção pelo labirinto, em busca de um novo queijo.
"Os ratos não analisavam demais as coisas. E não tinham muitas crenças complexas."
Quando os duendes Hem e Haw chegaram ao local, levaram um grande susto. Não haviam percebido as mudanças que estavam acontecendo e acreditavam que o queijo sempre estaria esperando por eles.
"Quem mexeu no meu Queijo?"
Os duendes permaneceram ali por muito tempo, tentando entender o desaparecimento do queijo. Ficaram preocupados e sem ação, enquanto isso, os ratos já procuravam um novo caminho.
Desencorajados e famintos, voltaram para casa na esperança de que, no dia seguinte, alguém tivesse colocado o queijo de volta. Retornaram ao Posto C, mas nada havia mudado.
Haw demorava a aceitar que o queijo realmente havia desaparecido. Ao notar que os ratos também não estavam mais ali, os dois duendes começaram a discutir. Será que eles sabiam de algo que eles próprios desconheciam? Além disso, passaram a questionar o direito que tinham sobre o queijo que haviam perdido.
Finalmente, Haw percebeu que o velho queijo não voltaria e que era hora de procurar um novo. Enquanto imaginava que os ratos provavelmente já haviam encontrado outro depósito, decidiu considerar essa possibilidade.
Enquanto isso, Sniff e Scurry percorriam o labirinto em busca de novos queijos. Até que, um dia, encontraram o Posto N de Queijo, o maior estoque que já haviam visto.
Os duendes continuavam presos ao Posto C. Haw pensava em sair pelo labirinto à procura de novos queijos, mas Hem não demonstrava qualquer interesse. Estava desanimado e tinha medo do que poderia encontrar além daquilo que já conhecia.
"Se você não mudar, morrerá."
Haw, então, decidiu partir sozinho em busca de um novo queijo, mesmo carregando consigo medos e dúvidas.
"O que você faria se não tivesse medo?"
Depois de muita procura, finalmente encontrou o que tanto buscava. Para sua surpresa, os ratos Sniff e Scurry já estavam lá.
"Haw teve de admitir que o maior obstáculo à mudança está dentro de você mesmo, e que nada melhora até você mudar."
Enquanto refletia sobre tudo o que havia aprendido, Haw pensava em seu amigo Hem. Perguntava-se se ele teria mudado de ideia, entrado no labirinto e encontrado as mensagens que havia escrito nas paredes durante sua caminhada.
"Hem tinha de encontrar o seu próprio caminho, deixando para trás a sua comodidade e os seus medos. Ninguém podia fazer aquilo por ele, nem convencê-lo a fazê-lo. De algum modo, Hem precisava perceber as vantagens da mudança."
REFLEXÃO: O que podemos aprender?
"Todos nós trabalhamos e vivemos em tempos de mudança e, por isso, estão sempre mexendo no nosso 'Queijo'."
O queijo é uma metáfora para tudo aquilo que buscamos e acreditamos que nos fará felizes. Ele representa nossos objetivos, sonhos, conquistas e aquilo que valorizamos ao longo da vida.
O labirinto simboliza a própria vida: o caminho que percorremos diariamente em busca de oportunidades, crescimento e realização.
Ao contar uma história aparentemente simples, Spencer Johnson nos convida a refletir sobre um dos maiores desafios do ser humano: a forma como reagimos às mudanças.
Muitas vezes, o maior obstáculo não está na mudança em si, mas na dificuldade de abandonar aquilo que já conhecemos. Criamos expectativas de permanência em um mundo que está em constante transformação e, quando a realidade muda, tendemos a resistir, esperar que tudo volte a ser como antes ou procurar culpados para aquilo que saiu do nosso controle.
No ambiente organizacional, essa realidade é ainda mais evidente. Empresas mudam, mercados evoluem, novas tecnologias surgem, modelos de negócio são reinventados e diferentes gerações passam a conviver no mesmo espaço de trabalho. A mudança deixou de ser um evento pontual para se tornar uma condição permanente.
Nesse contexto, a adaptabilidade deixou de ser apenas uma competência desejável. Tornou-se uma característica essencial para profissionais, líderes e organizações que desejam permanecer relevantes.
O livro também nos lembra que o medo costuma ser maior antes da ação do que durante a própria caminhada. Enquanto Hem permaneceu preso ao passado, Haw descobriu que, ao dar o primeiro passo, surgiam novas possibilidades. A verdadeira transformação começou quando ele decidiu abandonar a espera e assumir a responsabilidade pelo próprio caminho.
Essa talvez seja a principal lição da obra: crescer exige movimento. Nem sempre teremos todas as respostas antes de começar, mas permanecer paralisado dificilmente nos levará a um lugar diferente.
A vida continuará mudando. As organizações continuarão mudando. O mercado continuará mudando. A questão que permanece é a mesma proposta por Spencer Johnson há mais de duas décadas:
Estamos preparados para procurar um novo queijo quando o antigo deixar de existir?
"Viva a mudança!"

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