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A saúde mental entrou definitivamente na agenda das organizações. Mas o que as empresas estão fazendo com isso?

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Nos últimos anos, o vocabulário das organizações mudou. A saúde mental passou a ocupar espaço nas reuniões, nos programas de gestão de pessoas e de liderança. A segurança psicológica entrou nas discussões sobre equipes. O burnout deixou de ser tratado apenas como uma questão individual. O assédio e riscos psicossociais passaram a receber mais atenção. O discurso mudou. Mas o que mudou na gestão? As iniciativas também aumentaram. Programas de apoio psicológico, canais de escuta, treinamentos, benefícios e campanhas passaram a fazer parte das estratégias de muitas organizações. Tudo isso pode ser importante, m as uma organização pode ampliar suas iniciativas de saúde mental sem, necessariamente, transformar a experiência cotidiana de trabalho. Uma organização pode oferecer apoio psicológico sem perguntar por que uma equipe permanece constantemente sobrecarregada. Pode oferecer treinamento sobre inteligência emocional sem enfrentar práticas de liderança que produzem medo. E pode até criar...

Silêncio organizacional: quando informações importantes deixam de chegar à liderança

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Existem empresas que dizem querer ouvir seus colaboradores. Criam pesquisas de clima, reuniões de equipe, canais de comunicação, avaliações de desempenho e espaços para sugestões. Incentivam o feedback e afirmam valorizar profissionais que questionam, apontam problemas e contribuem para melhorar a organização.   Ainda assim, as pessoas podem escolher não falar.  Não necessariamente porque não tenham nada a dizer. Às vezes, porque já aprenderam alguma coisa sobre o que acontece quando alguém fala. Um profissional questiona uma decisão e passa a ser visto como resistente. Outro aponta um problema e percebe uma mudança na relação com a liderança. Alguém oferece um feedback sincero e descobre que a franqueza pode ter consequências. E tem aqueles que observam o que aconteceu com um colega que se manifestou e decidem que não querem correr o mesmo risco. As pessoas observam e aprendem. O silêncio organizacional não é simplesmente ausência de fala Em um estudo clássico publicado em ...

Os riscos psicossociais começam muito antes do adoecimento organizacional

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Sobrecarga, silêncio, conflitos ignorados e lideranças despreparadas raramente surgem de forma isolada. Eles podem ser sinais de uma cultura que, silenciosamente, favorece condições de sofrimento. Quando uma situação grave acontece dentro de uma organização, é natural perguntar  “O que aconteceu?”.  Diante de um episódio de assédio, esgotamento, conflito ou violência no trabalho, buscamos identificar o acontecimento que desencadeou aquela situação. No entanto,  existe uma pergunta ainda mais importante: " O que vinha acontecendo muito antes disso?" Riscos psicossociais raramente aparecem de forma repentina. Eles podem começar na sobrecarga que passa a ser considerada normal, no conflito que ninguém quer enfrentar, na liderança que não sabe conversar sobre problemas, na falta de autonomia, na pressão permanente por resultados ou no medo de discordar. Isoladamente, essas situações podem parecer pequenas. Porém, quando se repetem e passam a fazer parte da maneira como o trab...