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Quando falar não muda nada, por que continuar falando?

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Escuta organizacional não termina quando alguém fala. É a resposta que revela se essa escuta realmente existe. Há organizações que perguntam. Fazem pesquisas de clima, reuniões individuais, avaliações de liderança, canais de escuta, ouvidorias, rodas de conversa e pesquisas de engajamento. Criam espaços para que as pessoas falem. Mas existe uma pergunta que costuma vir depois, e talvez seja ainda mais importante: O que a organização faz com aquilo que escuta? Porque falar tem um custo. Quem aponta um problema sabe que, muitas vezes, se expõe. Quem questiona uma decisão, entende que pode contrariar alguém. Quem relata uma sobrecarga, teme ser visto como alguém que não dá conta. Quem sinaliza um comportamento inadequado, se preocupa com os efeitos daquela fala sobre sua relação com a liderança. Por isso, a disposição para falar também depende daquilo que as pessoas percebem que pode acontecer depois. Em estudo qualitativo com 40 funcionários, Milliken, Morrison e Hewlin (2003) identifica...

A decisão pode ser automatizada. A responsabilidade, não.

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IA, gestão algorítmica e os novos riscos psicossociais do trabalho Setembro Amarelo amplia a conversa sobre saúde mental. No ambiente de trabalho, porém, essa discussão precisa alcançar também a forma como o próprio trabalho é organizado, especialmente quando novas tecnologias passam a participar de decisões que afetam as pessoas.  A inteligência artificial já está sendo incorporada a processos de recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, distribuição de atividades, monitoramento da produtividade e outras decisões relacionadas ao trabalho. Isso pode representar ganhos importantes de eficiência, capacidade analítica e produtividade.  O problema não está na tecnologia em si, mas no momento em que a eficiência do sistema passa a ser confundida com a qualidade da decisão. Pois u ma decisão produzida por tecnologia continua sendo uma decisão tomada dentro de um contexto organizacional. Existem critérios, dados, objetivos, prioridades e escolhas humanas por trás dela. É justa...

Quando alguém diz “eu não estou bem”, o que acontece dentro da organização?

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  Setembro chegou e, com ele, o já conhecido Setembro Amarelo . Nas empresas, começam as campanhas, os comunicados, as palestras e os convites para falar, romper o silêncio, pedir ajuda e prestar atenção ao outro.  Tudo isso é importante. Mas existe uma pergunta que talvez precise vir antes de todas as outras: É seguro falar? Porque existe uma diferença enorme entre ter um espaço para escuta e sentir-se seguro para utilizá-lo. Pois uma empresa pode ter um canal de escuta, oferecer apoio psicológico, promover campanhas, treinar suas lideranças e afirmar que seus colaboradores podem procurar ajuda quando precisarem. No entanto, isso, por si só, não significa que as pessoas realmente se sintam à vontade para dizer: “Eu não estou bem.” Antes de falar, muitas pessoas observam. Elas observam o que acontece com quem questiona, aponta um problema, admite que não está conseguindo dar conta, pede ajuda ou leva uma situação difícil ao conhecimento da liderança.  E essas experiências...

A saúde mental entrou definitivamente na agenda das organizações. Mas o que as empresas estão fazendo com isso?

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Nos últimos anos, o vocabulário das organizações mudou. A saúde mental passou a ocupar espaço nas reuniões, nos programas de gestão de pessoas e de liderança. A segurança psicológica entrou nas discussões sobre equipes. O burnout deixou de ser tratado apenas como uma questão individual. O assédio e riscos psicossociais passaram a receber mais atenção. O discurso mudou. Mas o que mudou na gestão? As iniciativas também aumentaram. Programas de apoio psicológico, canais de escuta, treinamentos, benefícios e campanhas passaram a fazer parte das estratégias de muitas organizações. Tudo isso pode ser importante, m as uma organização pode ampliar suas iniciativas de saúde mental sem, necessariamente, transformar a experiência cotidiana de trabalho. Uma organização pode oferecer apoio psicológico sem perguntar por que uma equipe permanece constantemente sobrecarregada. Pode oferecer treinamento sobre inteligência emocional sem enfrentar práticas de liderança que produzem medo. E pode até criar...