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O que sua liderança ensina sem perceber?

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Mais do que aquilo que diz, a liderança ensina pelo que as pessoas observam acontecer. É comum ouvir líderes reclamando de suas equipes. Dizem que falta iniciativa, que precisam cobrar tudo, que as pessoas não assumem responsabilidades, que ninguém pensa além da própria tarefa ou que a equipe não se desenvolve. Mas existe uma pergunta que nem sempre aparece nessa conversa: O que a própria liderança está ensinando todos os dias? Um líder pode falar sobre confiança, autonomia, colaboração e desenvolvimento. Entretanto, as pessoas aprendem observando o que acontece no cotidiano: quando alguém erra, quando uma decisão é questionada, quando uma pessoa pede ajuda, quando uma notícia ruim chega ou quando alguém demonstra que pode fazer mais.  São essas experiências que ajudam a construir referências sobre como agir naquele ambiente. Quando a liderança reclama da equipe, o que ela está deixando de enxergar? Se o líder centraliza todas as decisões, a equipe pode aprender a esperar por...

Quando falar não muda nada, por que continuar falando?

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Escuta organizacional não termina quando alguém fala. É a resposta que revela se essa escuta realmente existe. Há organizações que perguntam. Fazem pesquisas de clima, reuniões individuais, avaliações de liderança, canais de escuta, ouvidorias, rodas de conversa e pesquisas de engajamento. Criam espaços para que as pessoas falem. Mas existe uma pergunta que costuma vir depois, e talvez seja ainda mais importante: O que a organização faz com aquilo que escuta? Porque falar tem um custo. Quem aponta um problema sabe que, muitas vezes, se expõe. Quem questiona uma decisão, entende que pode contrariar alguém. Quem relata uma sobrecarga, teme ser visto como alguém que não dá conta. Quem sinaliza um comportamento inadequado, se preocupa com os efeitos daquela fala sobre sua relação com a liderança. Por isso, a disposição para falar também depende daquilo que as pessoas percebem que pode acontecer depois. Em estudo qualitativo com 40 funcionários, Milliken, Morrison e Hewlin (2003) identifica...

A decisão pode ser automatizada. A responsabilidade, não.

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IA, gestão algorítmica e os novos riscos psicossociais do trabalho Setembro Amarelo amplia a conversa sobre saúde mental. No ambiente de trabalho, porém, essa discussão precisa alcançar também a forma como o próprio trabalho é organizado, especialmente quando novas tecnologias passam a participar de decisões que afetam as pessoas.  A inteligência artificial já está sendo incorporada a processos de recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, distribuição de atividades, monitoramento da produtividade e outras decisões relacionadas ao trabalho. Isso pode representar ganhos importantes de eficiência, capacidade analítica e produtividade.  O problema não está na tecnologia em si, mas no momento em que a eficiência do sistema passa a ser confundida com a qualidade da decisão. Pois u ma decisão produzida por tecnologia continua sendo uma decisão tomada dentro de um contexto organizacional. Existem critérios, dados, objetivos, prioridades e escolhas humanas por trás dela. É justa...

Quando alguém diz “eu não estou bem”, o que acontece dentro da organização?

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  Setembro chegou e, com ele, o já conhecido Setembro Amarelo . Nas empresas, começam as campanhas, os comunicados, as palestras e os convites para falar, romper o silêncio, pedir ajuda e prestar atenção ao outro.  Tudo isso é importante. Mas existe uma pergunta que talvez precise vir antes de todas as outras: É seguro falar? Porque existe uma diferença enorme entre ter um espaço para escuta e sentir-se seguro para utilizá-lo. Pois uma empresa pode ter um canal de escuta, oferecer apoio psicológico, promover campanhas, treinar suas lideranças e afirmar que seus colaboradores podem procurar ajuda quando precisarem. No entanto, isso, por si só, não significa que as pessoas realmente se sintam à vontade para dizer: “Eu não estou bem.” Antes de falar, muitas pessoas observam. Elas observam o que acontece com quem questiona, aponta um problema, admite que não está conseguindo dar conta, pede ajuda ou leva uma situação difícil ao conhecimento da liderança.  E essas experiências...